O POETA E O VENTO

O POETA E O VENTO

O vento se espreme

para passar

na fresta da porta da sala.

Uiva como um lobo

para nos amedrontar.

Lá fora, ele lapida a pedra

que se tornará areia

para embaçar os olhos humanos

tão limitados.

Quem sopra o vento?

Quem sabe onde nasce o vento?

Perguntas me vêm à mente

enquanto a vida

toca – delicada

ou violentamente - as folhas

das plantas na varanda.

Minha mão quieta

não ousa escrever mais nada.

Por momentos, deixo o vento escrever

a sua história.

Ele passará por aqui arrastando consigo

inúmeras sementes

que jogará no chão de terra.

Depois que o cisco sair da vista

daquele homem,

que driblou o vento

e não questionou a ciência;

depois da vista arranhada,

talvez ele entenda

a longevidade das palavras sábias

lançadas pelo vento.

Porque somos pedras,

teimosas e duras pedras

sendo buriladas

pelas palavras sábias dos ventos.

NELSON MARZULLO TANGERINI

.

Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 30/07/2022
Código do texto: T7571486
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2022. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.