PRÁTICO

Em janeiro fui romeiro da galeota,
Capitão de manto em vela!
Agora quero ser remeiro
Destas barcas que levam flor
Ao oceano em fevereiro.

Amparar as mãos que galgam,
Mensurar o impulso da crista,
Sulcar estas águas de sal,
Arar e colher o brunimento
Tão bastante pela graça e fé!

A imensidão sossa faz este sargaço
Ter o mesmo cheiro da mais doce cana, fermentado!
- Perdão, dona!
- Como são belas estas flores em teus braços!

- Comprei estas por Jacinta.
"A Dona" estava estampado na lata do azeito,
Aparava a ramagem.
(Sortilégio, galanteio, ela reparou na guia
Que ancora minha alma ao peito).

Fazer a função, cuidar da criança
Que brinca na arrebentação...
Lá vai o barqueiro polinizar qual abelhas,
Odores, oh!...mar!

Auscultar, pelos e poros, uma prece
Entre a água, o remo e o ar.
( Fazer da leitura dos teus lábios a minha Odisséia! )
- Aqui está bem! Entoemos o ponto.
- À Dona das Ondas vamos agradar!

Foto de Marcel Gautherot, Dois de fevereiro de 1950 - Acervo IMS

Luís Aseokaynha
Enviado por Luís Aseokaynha em 17/02/2021
Reeditado em 31/01/2023
Código do texto: T7186445
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