Poema para ouvir Cristina (*)

Subitamente

Do prenhe vão da parede

A voz irrompe

E nos prende

Em sua rede de afeto

E enleio dorido

- sede.

Em busca do tempo perdido,

Liberta o verbo interdito

O que, dantes,

Andava, só,

Entre dentes

- medo.

E plana singularmente

Declama o que há de gauche no peito

Anjo torto contra o infinito pé direito.

Vem

E não mais que de repente nos toca

Nos sopra no ouvido mouco

A mágoa em tempo algum

olvidada:

Ah! como nos provoca, nos magoa

Nos acorda o amor, essa lírica

Borbolépida

Trânsfuga da muda lettera.

E paira

- Entre tímida e desafiadora –

Sobre a áspera

E mecânica trilha sonora

Do trânsito que rasca e amedronta

Lá fora.

(*) Cristina Nunes recitando seu poema "Mariposa"

Nelson Oliveira
Enviado por Nelson Oliveira em 25/11/2006
Reeditado em 25/11/2006
Código do texto: T301198