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Os antigos amores do futuro


Passar a limpo o verso
é não só exercício de sintaxear terrenos:
três quartos de substantivo num terço
de adjetivo seco - nem mais, nem menos.

Cada conta neste terço brusco
é pedra, estrela, gracioso, orvalho,
pérola, seixo, lívido, pó, molusco,
alga, semente, Isolda, cascalho.

Pois isto que de cima a baixo visualizo
é por sobre a minha infinita varanda:
olhos são lampiões, águas de Narciso,
molhados de alfazema, láudano e lavanda.

Porém sobre todos os antigos martírios
(este é o segredo de varandas construídas):
um par de rosas, anverso, Tristão, outro de lírios,
e todas as boas novas de todas as belas vidas.

Passado o verso a limpo, fica
passado a limpo também o sujo,
que se encaracola numa concha rica
navegando em definitivo caramujo...

Então, como todas as f(r)ases, só eu
inauguro o fim da triste borboleta.
Juntos, para sempre, qualquer Romeu
e qualquer Julieta.

Marcelo Moraes Caetano
Enviado por Marcelo Moraes Caetano em 17/11/2007
Reeditado em 21/11/2007
Código do texto: T740509

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Sobre o autor
Marcelo Moraes Caetano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Marcelo Moraes Caetano