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O Amor não é palpável



Agora eu vou
Por aquelas estradas virgens
De relva ou de asfalto
Caminhando como um aventureiro
Sem a pretensão de chegar a algum lugar
Sem objetivos
Sem propósitos
Apenas seguindo a estrada sem me importar aonde ela vai dar...

E na medida do possível
Apagando o rastro
Desfazendo as pegadas e os pensamentos
Para não ser seguido
Para não ser influenciado
Nem me questionar sobre o fato
De ser assim
De estar assim
De seguir assim
Sem rumo
Sem pressa
Em direção oposta a tudo aquilo que possa fazer sentido...

Porque nada é absolutamente
Indispensável
Ou absolutamente necessário
Visto que
Se alguém quiser deixar para trás uma parte de si
Como roupas usadas dentro de velhas sacolas
Não se corre risco algum
Nada é insubstituível
Nem mesmo o amor é insubstituível
Porque por mais feérico que possa parecer
O amor não é palpável
Não se toca o amor ao se beijar os lábios de quem se ama...

Essa sensação
Por mais doce e boa que possa parecer
Na verdade é só o reflexo compulsivo da carne
A carne que se retrai
Que se trai
Ao se deparar com outra que como ela padece
De um sentimento
Que adoece
Que incomoda
Mas que não se pode chamar de amor
Porque esse não se mede como se medem as febres...

O amor verdadeiro
Talvez se manifeste de uma maneira quase inteira
Justamente na ausência da carne
Quando estamos por assim dizer distraídos
Das coisas que nos cercam
Das coisas que são palpáveis
E que por serem assim
Distraem-nos de tal modo
A nos confundirem a consciência...

O amor é uma essência
E como tal manifesta-se absolutamente perfeita
Sem necessariamente para isso precisar
Assumir formas

O Amor é um Deus
Que cada um de nós sentirá mais perto
Ou mais distante na mesma proporção em que nele acreditarmos...

Por isso o amor não é insubstituível
Porque ele não depende de um cavalo branco
Nem vem nos braços de donzelas brancas
Que choram lagrimas enlatadas 
À beira de um precipício
Ou à beira de um fogão de seis bocas esmaltadas...

Por isso o amor não é palpável
Porque o amor não se vende a quilo
Nem se cota a dólar
Nem se embrulha
Ou se enrola
Como cordas em volta do pescoço...

Contudo,
O amor se encontra por mais singelo que possa parecer
Em uma esquina qualquer
De um lugar qualquer
Para isso basta que ali esteja
Um ser verdadeiro
Que o traga por méritos próprios
Pelas razões mais simples
Como uma chama a pulsar-lhe a alma...


ULISSES de ABREU
Enviado por ULISSES de ABREU em 28/01/2007
Reeditado em 28/01/2007
Código do texto: T361506


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Sobre o autor
ULISSES de ABREU
Viçosa - Minas Gerais - Brasil
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