ARRUMANDO AS GAVETAS

Hoje eu resolvi arrumar as gavetas da minha vida.

Comecei pela das tristezas.

Separei uma a uma e joguei fora as que eu não queria lembrar...

Ficaram só as que, mesmo me trazendo lembranças de coisas ruins, tiveram um significado importante para mim.

A gaveta da saudade só fiz arrumar cada uma em seu devido lugar. Sei que de vez em quando vou lá e relembro os momentos bons que passei com você.

A gaveta do vazio continua cheia dele (vazio); nem consegui mexer. Não cabia mais nada.

A gaveta da solidão, tentei esvazia-la, mas em vão. Mesmo com toda essa gente ao meu redor, continuo sozinha.

Fui então para a gaveta do amor. Lá, revirei todos os meus arquivos confidenciais... Tentei deletar todos aqueles que estavam infectados com o vírus da ilusão, do sofrimento, da amargura e da solidão, mas não consegui...

Chegando à gaveta do meu coração, não tive coragem de abri-la. Sabia que lá dentro só existia sua lembrança, sua presença, sua marca... Sabia que iria sentir o seu perfume, o seu gosto de canela e isso iria me fazer sofrer mais do que venho sofrendo todo esse tempo.

Resolvi então ir para a gaveta da coragem. Ao abri-la consegui juntar forças para te pedir: liga para mim... Quero te pedir perdão por ter saído novamente da tua vida como saí. Mesmo que você não me queira mais, mas pelo menos, deixa eu te explicar o porquê. Acho que você vai entender a minha razão.

A gaveta da minha alma só você poderá abrir... E não vai nem precisar de chave, pois seus olhos sabem qual é o segredo.

Zany Lopes de Olinda
Enviado por Zany Lopes de Olinda em 23/07/2012
Código do texto: T3792615
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