LIVRE APITO

O aquário dói-me muito menos
Do que os mares que eram tão grandes
E Tornaram-se, agora, meus poços pequenos...

E eu, que já senti-me na mais alta das montanhas
Agora me vejo equilibrando sobre um átomo de areia.
Minha Vida se parece neste momento
Como os fios de uma teia 
Das que passarelas
Onde desfilam as mais belas
Vítimas das Aranhas.

Morrer? É claro que vou.
Hoje? Talvez...
Isto EU decidirei
Pelo Direito que herdei:
Esse enorme Patrimônio
De escolher se acelero
E me entrego ao demônio
Para, eternamente
Comer maçãs frescas
Essas Evas eternas perdidas.

Ou se a minha hora espero
Para chorar nos céus
Assistindo Odaliscas
Dançarem, serpentes
Lançando faíscas
Sobre as lágrimas quentes
Que espremeram da vida da gente
Todo suco que havia
Da fruta que murcha
Mas não se esvazia
Das suas sementes...

Que eu pereça por crente
Na camisa-de-força macia
Do Amor que se distancia
Berrando às Estrelas
Pelo colo ausente
Da virgem Maria...




"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."
William Shakespeare



Aldo Urruth






Aldo Urruth
Enviado por Aldo Urruth em 26/10/2012
Reeditado em 01/11/2012
Código do texto: T3954095
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