Aquarela do amor

AQUARELA DO AMOR

Olhando o verde do mar,

O puro azul desse céu,

O sol dourado a brilhar,

Estou sonhando e aréu.

A abelha pousa na flor,

A brisa me tange a face,

Gostoso e suave odor,

Estou como Lovelace.

Branco véu da cachoeira,

O rio que corre solto,

Mergulha a águia-pesqueira,

Estou, na verdade, envolto.

Envolto em tanta beleza,

Razão própria dessa vida!

Por isso é que a natureza,

Deu-nos medo da partida!

Pela trilha corre a anta,

O passarinho que canta,

O sol que cedo levanta

E um colorido que encanta!

Araras que cruzam o céu,

Fazendo um grande escarcéu!

Nuvens do branco ao griséu

Realizando um bailéu!

Escravo da liberdade,

Por toda a minha existência!

Com a companheira saudade

Vivo da benevolência!

Mas se quando ela chegou,

Na vida, perto de mim,

Todo o peito me tomou,

Qual fragrância de jasmim.

Com sua doce brancura,

O liso cabelo louro,

Trouxe-me a tal ternura

E o mais rico tesouro!

Tesouro que não tem jóias,

Mas tem maior esplendor!

Que nos leva às paranóias

E que chamamos de “amor”!

Ela, como a natureza,

Quase tudo que eu queria,

Além de toda a beleza,

Com mais me receberia.

Pois só Deus benevolente

E estrelas com muito brilho,

Depois de criar-nos gente,

Por presente dá-nos filho.

Por isso é que a gente tem,

Ao fim de nossa jornada,

Que apenas dizer amém

E não reclamar de nada.

Quando o corpo se despede,

Da alma iluminada,

É seiva que a outro cede,

Para uma nova alvorada.