VIDA DE PAIXÃO AOS VENTOS


Acorda-me o horizonte das palavras
Vitoriosa nesta renitente espera
De ouvir-te, quiçá, um som, uma reza...

Detenho o vislumbrar do teu alfabeto

Nesse idioma amoroso que trazes, quem sabe, na boca
Acalentando a confissão numa jura louca
Despido de qualquer pudor, qualquer covardia

Percebo o desenhar das sílabas apaixonadas

Sinto na derme o som que anseio
Entre um passo, um verso e um olhar
Dois corações unificam-se em poesia

Transcendendo a beleza do luar

Transformando noite em dia
Visão borrada de todas as coisas
Aquarela monocromática

Pego meus despojos e minha concha

Não é o rugir do tigre pelas brenhas
Não é o bater das ondas na enseada
Nem os pássaros perfurando a madrugada

São nossas vidas nos ventos
Embrenhadas no Universo
Transcendendo limites

Embriagadas de vontades

Confundem as ideias
Tornando-as num furacão de sentidos
Consumido e consumado, êxtases

No prazer de primeiro amar acordado
Em plena vigília da carne
A mesma ambiguidade

Sonhar, amar e dormir juntos
Amar e acordar, juntos

Então, amar e morrer de amor juntos

É que na vida há momentos únicos
Dos que se gostam muito
Que não cabem num só corpo

Transbordam os poros da noite e dia
E pedem cumplicidade

Os pássaros não mais perfuram a madrugada
Diante da visão de nós dois, voaram num pouso certeiro

Até as terras coloridas da China
Luamor
Enviado por Luamor em 07/03/2013
Reeditado em 15/05/2013
Código do texto: T4176177
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