Eu estava lá e vi, ninguém me contou!

Eu estava lá e vi, ninguém me contou!
Sentei-me à beira da escada,
Enquanto a passarada
Apressada,
Cortava o vento
Com malabarismos simétricos,
Hipnotizando quem ousava olhar.
Eu estava lá e vi!
Teus passos lentos e comedidos
Levantando a poeira no público recinto.
Terno frouxo e gravata de seda.
Sapato brilhante e cabelo com gel
Pés no chão e olhos no céu.
Sim, eu vi!
Mas acreditei somente
Quando teus joelhos,
Humildemente,
Prostraram-se diante do velho.
Podia ser normal
Até uma cena casual,
A verdade é que do seu blindado
Abriu a porta e desceu do pedestal.
Lépido e faceiro,
Quase sem testemunhas,
Acolheu o velho sebento
A ele, gentilmente doou seu alimento.
Como apareceu, desapareceu.
Nem vestígios deixou.
Um pouco mais à frente
Lançou sua semente
Do amor, como consegue dar.
Quem era?
Não sei!
Mas sei que vi, ninguém me contou.
Abraços ao oculto do amor.