Vi-te, quieta, num canto, escondida,

Vi-te, quieta, num canto, escondida,

Eras tão linda, mais linda do baile,

Quis-te, completa, para mim, querida,

Só quem te viu de ternura bem sabe.

Pernas tremeram, que diria eu

Para chamar-te a uma dança comigo?

Mas sem a dança faço-me Romeu;

Bebo da taça e me morro, caído!

Triste é a vida do coitado maldito

Que não chama bela mulher à dança;

Vi-te, quieto, num canto, escondido -

Como terei eu qualquer esperança?

Quando me olhaste, veloz, de relance,

Caí ao chão, desmaiado, em coma;

Coma abstêmio de quem não tem chance

Mas teve beijo de Vênus de Roma.

14/3/2017

Malveira Cruz
Enviado por Malveira Cruz em 14/03/2017
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