COM QUE FIM?

A escrever, empurra-me uma pecha qualquer,

A por, no papel, um fato, um acontecimento,

Com medições imprecisas do lugar, do momento.

Não de poeta, romancista ou prosador,

Pois de incerta rima, pobre trama, pouco falador.

Seria essa pecha, então? de sofredor?

Calculo que sim.

Escrever sobre uma ideia, sobre algo, enfim,

Requer conhecimento, informação... coisas assim.

Buscar tais lances, dentro de mim?

Ah! pobre ignaro!

Poço em terras altas, o fundo não tem fim.

De esperançoso homem, seja, a pecha, talvez,

Já que nascido da plebe, seguindo seu próprio fado,

A querer, sem dela sair, entusiasmar. A quem?

A si? a seus parceiros do acaso?

Com que fim?

Não! entusiasmar especialmente a um Alguém!