Deito-me às horas, e é imenso.
É imenso como se vai escapando,
como se vai cantando a solidão
como um rasgo pelo tempo afora
 
O amor é obsessivo
É uma sangria obsessiva
pra quem tem as mãos cantantes
 
Eu canto. Canto com o fogo
preso à garganta,
como se quisesse acordar,
como se quisesse durar
à massa dalguma estrela
 
Eu canto
a sair pela loucura da vidraça,
e entrar para o íntimo da loucura,
cega, inquieta e febril,
com os espelhos a estremecer
 
Nunca é raso cantar com os dedos abertos,
nunca é fácil luzir do silêncio dentro
e trazer à tona os lençóis mordidos,
a embriaguez do sangue ou o ardor do flanco,
quando mais,
com a boca ainda quente de saudade .

 




DENISE MATOS
Enviado por DENISE MATOS em 27/06/2019
Código do texto: T6683180
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