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Bússola da Existência

Existem momentos de prelúdio perfumados de imagens
Vagas dissertações do acaso em que os pensamentos têm asas
Capazes de voar nas mais diversas direcções como pássaros ao vento
Procurando abrigo no ruído harmonioso da brisa que penetra nas suas penas
Assim são as sensações que invadem o corpo receptivo à emoção
São bravos os heróis que diariamente fazem juz à condição de sonhadores
Prisioneiros da fantasia sibilam a história que o passado não conta
Porque a realidade ficou no estilhaço da quimera

Algures nesta desconexão existe o íman capaz de revitalizar as lembranças
Ocultas na mente revolta de um pensador errante que questiona a razão
Em prol da ilusão que abre alas nas ruas povoadas da imaginação
Vivências de um poeta, incertezas de um cientista, cicatrizes da humanidade
Impressas no rosto dos viajantes que partilham diariamente o comboio da vida
É assim neste vaivém que o espaços interpessoais aumentam
Os interstícios extinguem-se restando apenas vales agrestes de distância
Quando as ruas perdem a cor da alma e o vazio se instala

Neste universo de sons e imagens desfragmentadas vive a amizade
A certeza presente de que alguém permanece atrás da cortina de uma janela
Esperando que o dia se encha de sol à medida que a persiana se move vagarosamente
Aí o conforto instala-se. E essa simples visão aconchega a mente.
A certeza de que a solidão pode atravessar os vales da imensidão
Que invariavelmente o amigo permanecerá no coração recheado de bem querer
Forma singela de agradecimento, prova concisa de que a existência é um dom
Demasiado valioso para se desperdiçar nas ruelas sórdidas do pensamento
Excessivamente luxuoso para se deixar cobrir pela poeira oxidada da dificuldade.

No hemisfério recôndito por onde a mente vagueia existe a protecção do Amor
Forma sublime de conseguir lutar por todas as causas, independentemente do esforço
Aceitar todos os desafios como prova da veracidade do pulsar do coração
Enfrentar a vida com um sorriso no olhar e deixar as lágrimas virar pétalas de rosa
No colchão doce e macio do corpo alheio que nos envolve numa suave feitiçaria
Recheada de mística, obra do destino, encontro ocasional de almas ditas gémeas
Elementos moleculares que nas suas engrenagens genéticas nos indicam
Este ou esta é tal o/a tal capaz de arrebatar a essência do Eu existencial

Este frenesim absurdo em complexidade e austero em palavras é a atmosfera perfeita
Para que tudo floresça e reapareça com mais certeza e magia
É a borboleta que faz girar os olhos em todas as direcções e nos faz sorrir
Uma chama brilhante que ilumina o céu da vida e a torna bela
É o mistério incompreensível que gere a existência
São luares de flores ou ondas de amor que correm nas veias
E devolvem sempre o sorriso que embeleza a face em cada amanhecer
E aconchega os lençóis de cada entardecer
Porque a vida é um milagre feito para viver!


18/10/2007
Sonya
Enviado por Sonya em 22/10/2007
Reeditado em 29/07/2008
Código do texto: T704682

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Sobre a autora
Sonya
Portugal, 36 anos
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