Esse Soneto guardado de um recorte do Jornal “GAZETA DE NOTÍCIAS” da Guanabara, no dia 17 de junho de 1974, publicado por MAURA DE SENNA PEREIRA, sob o Texto em sua Coluna, “GRÔNICAS DE NILGE, referente a um evento acontecido em Vitória – Esp. Santo.

Ora, sempre que leio esse Soneto, tenho duas visões: A primeira, quando de sua flor na infância, e a segunda, o Poeta tenha usado a lua e o mês de outubro para enfatizar o amor de uma donzela, a qual se oferece a ele com sua pureza despretensiosa... ou não!

Ofereço uma preciosidade de Soneto, de um Escritor Ilustre, consagrado pela Crítica literária e outras “coisinhas” a mais... Aos Poetas desse nosso Recanto.


            SONETO DA GRANDE LUA BRANCA

                                             LEDO IVO

Vindo de junho, a noite lembra outubro
E seu lúcido sol é lua branca
Que nos jardins se curva e lhes arranca
À flor que em minha infância lhes descubro.

Esta calma noturna, eu a perturbo
Criando um rio que ninguém estanca
E indo beber na grande lua branca
Um mês que não é junho, e lembra outubro.

A lua parte, sem que eu a persiga
Certo de que ela em mim permaneceu
Escondida no olhar de minha amiga,

Que silenciosamente ficou nua
E sem pudor nenhum se ofereceu
A mim, que me entregara à branca lua.

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CORPOS JOVENS
                                     Solano Brum
Já perdi, faz tempos, a minha juventude;
Todavia, um episódio deixa-me inquieto:
Tantas foram as namoradas... Só não pude
Dar-lhes por inteiro meu derradeiro afeto!

Mas a lembrança é uma nevoa que ilude;
Voz de sereia ao náufrago em mar aberto:
Uma flor desabrochada à beira do açude;
Perfume suave a um destino incerto!

Reminiscência que ainda causa-me susto...
Foi tão real, como o despencar da estrela
Que, de fato, discordo que tenha sido justo!

Na juventude, não se trava a libido crua...
Como dizer “não” olhando o corpo dela,
Despido, sobre a relva, no clarão da lua?

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O fruto da imaginação é justamente a fantasia que o poeta cria ao receber a inspiração. (Perdoa-me por tantas coincidências de rimas!)
Mas, a verdade é que, o perfume é a inquietação que o acompanha desde então, - como a lua do Poeta acima citado -, e, essa inquietação, é justamente por achar, - hoje -, que a posse a uma flor ainda em botão, - na época -, tenha sido um ato injusto; todavia, a idade é justamente o ponto chave desse poema que, se encerra na pergunta:  
“- como travar a libido na juventude?” 
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É com muita satisfação que posto em minha página sua interação, meu caríssimo Poeta. Obrigado.

TROVA (lua)
          Poeta Olavo
"Em noite de lua instigante
Laçando amor de verdade
Ela se tornou minha amante
Cedendo-me sua virgindade." 
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Solano Brum
Enviado por Solano Brum em 22/10/2020
Reeditado em 29/01/2024
Código do texto: T7093709
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