IMPIEDOSO OLHAR

Topázio, safira, turmalina... Perdestes o tom!

Já não procuram o relicário

Mas o anis ao escapulário...

Olvidaram ao rubi, na luxúria de Siom!

Impiedoso olhar! Não posso mais!

Por que procurou Teu olhar, o meu?

Não basta a teus olhos a dor de Homero e Orfeu?

Já não há em meus olhos poesia, senão ansejos fatais!

Rogo! Exime o coração tombado em jura

Outrora os olhos de Joana na clausura,

Menos amarga era a taça, selada hoje por teus lábios...

É preciso que a pena escreva o que não pude

Ou levemente o vento, sussurre em placitude

As palavras que, em culpa, escondem os sábios!

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Observação

1 - "Siom" ou "Sihon" foi um dos reis dos Amorreus, na época em que Israel se aproximava da Terra da Promessa a Canaã.

2 - “Joana” - Se refere a “Joana de Lits”, freira do Convento de São Clement (1318)

Joana era dotada de extraordinária beleza, sendo muito cobiçada, apesar de seus votos

3 - "pena" - Se refere ao tinteiro e a pena, forma muito usada da escrita antiga

André da Costa
Enviado por André da Costa em 21/10/2023
Reeditado em 22/10/2023
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