Quisera, como eu quisera,
Poderes mágicos eu ter
Restituir para você a
Esperança que a vida levou.
 
Hoje, quando você chegou
E de mim se aproximou
“Tia me dá um dinheiro pro pão?”
Senti a fome de carinho,
Do aconchego do lar,
De ter alguém pra lhe dar a mão.
 
De repente, num instinto maternal
Sua cabeça acariciei e você
Espantado a mim perguntou:
“Tia você não tem medo de mim?”
 
Ah! Menino franzino
Com você pude enxergar
Quantas vezes nossa violência
Está nos gestos, na omissão, no olhar.
 
De conversa em conversa
Nós dois na lanchonete
Bebendo coca-cola e
Você comendo um “burgão”
E seria só a fome do pão?
 
Quisera, como eu quisera
Resgatar sua autoestima
Devolver-lhe seu nome original
Não ser mais o menino de rua
Voltar a chamar-se João.
 
Regina Cœli Carvalho
08/03/07