ANONIMATO...

DEDICO AO ESTRANHO QUE VÍ ONTEM Á TARDE ENQUANTO PASSAVA DE CARRO.
ERA UM HOMEM ELEGANTE, MAS ESTAVA SENTADO NO CHÃO,  Á PORTA DO BANCO, OLHOS PERDIDOS NO NADA...


NO MEIO DO NADA
SOFRIDA INTERROGAÇÃO
NA FACE ESTAMPADA...

Á PORTA DA RUA SENTADA
AQUELA HUMANA AFLIÇÃO
DEIXA BELA TARDE ENCABULADA...

 HUMANA PUNGÊNCIA
SOBRE SI  RECLINADA
FUNDA... CÔNCAVA... CLAMA
NA VOZ DA TARDE ABISMADA

NA TARDE, EN PASSANT, EU VINHA...
ESTA, ME MOSTRA, DA DOR  AMBIGUA INDAGAÇÃO,
INSÓLITA, SEM NOME, SÓZINHA...

MORRE TRANQUILA A TARDE...
MAS, AQUELA DOR AGORA É MINHA,
AQUELA PERGUNTA ME CONSOME
E EM MEU PEITO ARDE...
AH! DAS LÁGRIMAS A INUTILIDADE.
QUE NÃO SACIA A  FOME,
QUE NÃO CO-MOVE,
NÃO ABRE O CORAÇÃO...
AH, DAS LÁGRIMAS O VAZIO
A CORRER NO DESERTO DA SOLIDÃO...