ADEUS

Num instante de paixões cinzentas,

abro os olhos para não ver tua face cobrir meu semblante.

Tua sombra na noite

é profecia de poetas calejados de palavras.

É metáfora de amores perdidos

Ou mesmo amores de tempos inexistentes,

porque ser poeta é procurar ilusões

para sofrer uma dor oculta a teus olhos.

Nas madrugadas infinitas

vejo o sereno embaçar os vidros e as vidas vagantes.

E nos meus pensamentos de cigano

abro o passado em pegadas lentas

e volto a habitar o coração

de quem me disse adeus.

Meus sentimentos nômades

viajam na madrugada que não se acaba.

Ele busca um reflexo num espelho quebrado.

Ele procura suas emoções

que se vai com a manhã que nunca chega.

A noite inspira medo.

O medo assola minha fraqueza

que se sacia com saudades e canções.

Mas o que eu quero agora é dormir.

Os sonhos aliviam o sofrimento estagnado nas lembranças

e as lembranças se confundem

com uma fantasia americana.

Quero dormir para esquecer-me

por um instante o equilíbrio.

Quero dormir o meu medo...

A minha fraqueza...

Dormir o desejo do teu olhar

para não acordar em lágrimas.

Quero um sono profundo

para não dizer adeus.

Fabio Ferreira

fabiorusso7@hotmail.com

agagagagaga
Enviado por agagagagaga em 02/04/2009
Reeditado em 30/05/2009
Código do texto: T1519006
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