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A Sala

A mulher, ou talvez ainda menina, agora é frágil
Está no meio de sua sala construída a mão medrosa
Encontra-se num sofá que conforta-se nela, adormece dela mesma...
E seus pés teimam em fugir do taco frio como quem corre do calor já distante!

Usa alguns comprimidos, talvez pela semelhança, está comprimida...
Cataliza-se na cadeia das horas, na (de)cadência do ponteiro
E atônica observa o vaso e sua flor vermelha-morta sobre a mesa
Está a chorar, chora cada um dessas três letras - não - que não cabem ao coração
Pois as outras três - sim - não existiram para lhe entregar a felicidade

Então ela insiste em cerrar todas as janelas para o horizonte
Esquecendo que a porta nunca lhe será segura,
Pois o acaso é abusado, tem a chave!
E quando ela percebe, alguém invadiu, se instaurou!
E grita, tem medo, mas a força que tem o seu grito de expulsar
Vem da vontade que essa pessoa fique alí, ao seu lado!

Como é cômica natureza da sala, ela mudou de propósito,
Antes era para ninguém entrar
E agora é para uma pessoa, apenas uma, não sair...
Mas como tudo na vida, inclusive ela mesma, termina,
Logo a pessoa se foi pela mesma porta que entrou!
E suas lágrimas se juntam na sua aceitação do fim

Assim a sala foi destruída e, a não mais menina, a mulher se foi...
Agora anda por aí, pelas ruelas das dúvidas, pelas anti-vias da vida
Entende que a sala não lhe protegia, não lhe serve,
Não prendia ninguém a ela, só ela mesma...
E quando dois destinos quiserem se cruzar
Dão-se as mãos e andam no mesmo sentido
E quando for o dia, largam-se, bifurcam-se por aí

E no fim ela saiu da sua sala
Para o grande quarto da vida
Augusto Sapienza
Enviado por Augusto Sapienza em 21/01/2007
Reeditado em 30/01/2007
Código do texto: T354356


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Sobre o autor
Augusto Sapienza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
52 textos (2254 leituras)
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