PANGEIA

Pela internet

Ouvi sons zulu

Batidas de pés na terra

Sacolejos de mãos nos ares

Assobio de vozes

Sorrisos na face

E, pisando de lá,

meu pé doía daqui

Gritando de lá

meus ouvidos zuniam daqui

Quando lá dançavam

aqui eu suava

Quando lá cantavam

aqui eu me encantava

Lembranças de uma terra distante

Outrora vizinha de nós

Quiçá fronteiriça de mim

Antes mesmo de haver “Brasil”

Muitos antes de “África” existir

De quando o Rio Paraguaçu

– Sem ser “Paraguaçu”

Nenhuma barragem parava

E, passando pelo “Gabão”

– Quando este nem havia

Desaguava na Pantalassa

Ai, os zulus distantes!

Tão perto de mim!

Tão longe de nós!

Pela internet eu os via

E o que enxergava era o externo

Como uma pele escura

Que se mostra para fora

E se vê com os olhos

Mas o que eu não sabia

E sequer desconfiava

Era que os “"zulus”, hoje

Se comunicam em ianomâmi

Filosofam em alemão

Rezam em latim

Contam piada em português

E raciocinam em iorubá

A internet, pois,

Que encurta as distâncias

Me trouxe de longe

Sons e imagens

De tudo aquilo

Que estava aqui

E eu não sabia!

Fabio Ferreira S
Enviado por Fabio Ferreira S em 26/06/2020
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