LAMENTO - ou: SAUDADE

Eu tinha umas palavras pra te dizer;

Somente umas palavras, poucas, leves,

Algumas cousas que meu coração

Inventava. Alguns desejos apaixonados

Que à minha vida alentavam.

Eu tinha algumas poucas cousas a contar-te,

Algumas boas-novas especiais,

Alguns intentos do meu coração.

Poder dizer-te fielmente o que trago aqui

Seria exprimir-me mais que perfeitamente

Numa obra de arte, num poema de veterano.

Queria poder saber me expressar como os anjos

E então contar-te cada cousa sem temor,

Sem anseio.

Poder dizer-te aquilo que de mais precioso trago aqui;

Poder mirar teus olhos sem temor, sem angústia, sem timidez

E poder-te explicar o meu olhar...

Poder mirar-te olho a olho sem verter uma lágrima

Sem me emocionar demasiado,

Sem titubear, sem me enfraquecer

Era tudo o que eu queria.

Queria tocar teu rosto com minhas palavras,

Tocar teu ser, teu íntimo, apenas com o meu olhar.

Sentir-me-ia eu o homem mais completo deste mundo.

Sentir ia eu uma sensação nunca antes sentida,

Ignorada por Deus.

O Nirvana ainda é ínfima cousa diante de tal sensação

Que eu imagino.

A iluminação, ou a salvação, ou a eternidade

Ainda não se assemelham a tal sensação

Transcendental.

Queria poder dizer-te tudo o que eu penso,

Tudo o que meus sentimentos discernem.

Ansiava por invadir tua alma

E fazer-te chorar surpresa,

Satisfeita.

Bem que queria...

Mas, e agora? Como o poderei eu?

Como o farei?

De que forma, se tu já não aqui estás mais?

E agora? O que farei com esses sentimentos,

Com estes anseios,

Com esta paixão inexplicável,

Com estes pensamentos ternos e insondáveis,

Com este amor tão terno e tão doce e tão afável

E tão alegre e tão imensurável?

Que farei eu agora?

Chorar hei sobre teu túmulo?

Gritar hei teu nome?

Buscar hei por tua alma penada?

Gemer hei, sofrer hei por ti?

Como se isso fosse trazer-te novamente à existência?

Não! Nunca jamais!

Porquanto te fostes, e não tornar hás mais

Porquanto já não mais és.

Então, que farei eu?

Olvidar-te-ei.

Posto que tu já não mais existes

E já não mais me ouves,

Não mais me vês, e não me sentes

E não me desejas,

então, olvidar-te-ei.

Intentar hei esquecer tudo o que senti por ti;

E teus lábios, e teu amor, e tua vida,

Teu odor, teu olhar,

Nada mais existem,

E, conseguintemente, meus amores por ti

Minha vida - esta quimera -

E meus pensamentos,

Nada mais existem.

Eu sou um paradoxo,

Uma imagem na mente de alguém.

Eu eu sou uma criatura ignóbil

Uma criatura repugnante.

Eu não estou alhures,

Eu sou uma contradição.

Oh, pergunto a Deus,

E o que será de mim sem ela?

Luiz Carlos Martins B Bueno Dantas de Oliveira
Enviado por Luiz Carlos Martins B Bueno Dantas de Oliveira em 21/03/2009
Reeditado em 21/03/2009
Código do texto: T1498186
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