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O REI DAS CINZAS E A BORBOLETA

A ti, a mais sublime entre as sublimes
O REI DAS CINZAS E A BORBOLETA

Quero que saibas
Que não se desliga o coração
Com um simples
E terrível
Premir de um botão

Pois o que sinto
São mundos
De uma infinita beleza interior
Que tos entrego
Com todo o meu amor

Por infernos passei
Terra que semeia e colhe cinzas
São os domínios
Onde sou Rei
E lá um dia
Vi uma borboleta
Que fez renascer
A minha adormecida
Fé de poeta

Penso que sabia
Desde sempre
Nunca a poder cativar
Uma coisa era tê-la presa
Outra era fazer
Que ela pudesse amar

Mas nem por isso
O sonho desapareceu
E ali fiquei
A observá-la
E a ama-la
Erro crasso
Que o Rei cometeu

Partido em mil bocados
Tinha-a a meu lado
Ignorando que ela vinha
De outra terra de cinzas
E que por ali por acaso
Tinha vindo parar
No seu voo incerto
Duma alma pelo belo a desesperar

Apesar das suas palavras
Ditas sem o dizer
Onde dizia
Que a esperança
Em mim havia de morrer
Pintei-lhe o cinzento
De todas as cores do universo
Pintei-lhe o mundo de alegria
Pois era a minha forma humilde
De dizer que a queria por perto
Passaram mil anos
E mais mil se hão de passar
Eu amei-a cada vez mais
Apesar de todo o seu lamento
Todo o imenso chorar
Observámos juntos o renascer
De milhões de auroras
Amávamos o impossível
E pela eternidade fora
Ficámos juntos
E rezávamos juntos
Para que a tristeza se fosse embora…

O rei das cinzas e a borboleta
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 11/07/2006
Código do texto: T191718


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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes