Limbo...

Tua escuridão...

Sei que sou teu submundo.

Seu ex-tudo, a sombra da tua vida...

O limo que sobe

Pelos teus esconderijos

Teu sótão, teu porão escondido,

A fatia a mais do bolo

O espaço entre o que é

O que sobra...

Seu olhar não é meu

Você enxerga através de mim

Na paisagem sou só mais um detalhe

A ser percebido ou não...

Sou um corpo a ser desfrutado

Mais um alicerce para teu ego

Um depósito de esperma

A ser utilizado...

Sou o seu negro lado

Um lago para sua luxúria

Onde mergulhas nu sem ser observado...

Sou sua fantasia degradante...

Mas não chego nem a ser amante.

Você sabia que gosto de flores?

Sabia que choro com histórias românticas...

Com as dores de amores?

Sabia que tenho um coração,

Que pulsa apresado na ânsia...

De ser amado, respeitado?

Não, tenho certeza que não sabe.

Você não sabe nada de mim...

No teu tempo de espera

Sou teu gozo... Tua masturbação

Sou para você apenas excitação.

Sou teu submundo

Tudo o que não pode ser...

Nunca teu momento de entrega

Sou tua página colada do livro.

Tua sala de espera.

O teu escapar pela janela

O teu silêncio é quebrado

Pelos meus gemidos aos teus ouvidos

Pelas palavras obscenas, desconexas...

Você sabia que eu gosto de flores?

Você nem sabe que existo

Sou seu tesão, o consolo do teu falo...

A única verdade

É que sou o contraste do teu certo

A forma hipócrita de seu desejo explodir

Longe das fronteiras de sua realidade

Longe das coisas bonitas que te cercam...

Sou o local de tua lascívia

Tua ruptura com as coisas corretas da vida

Era tua comida...

Teu tira gosto

Que devoras nas esquinas

Era...

Não sou mais!

Observadora
Enviado por Observadora em 02/02/2010
Reeditado em 14/02/2014
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