A DOR DA MORTE LENTA

Quanto mais envelheço, mais meu corpo arde

E minha alma chora os erros do passado.

As dores insuportáveis das enfermidades rasga-me a carne

Jogando-me num cárcere hospitalar.

Este mal incurável que me abate é o prenúncio da morte lenta

Invadindo todo meu ser com este terrível sofrimento.

O remorso, arredio dos meus sentimentos,

Agora consume minha mente impondo-me um amanhã de incerteza.

Quando saudável,

O prazer de mostrar-me arrogante diante dos desafortunados

Enchia-me o espírito de vaidade e meu ego explodia de superioridade.

Hoje, devorado pelo vírus das enfermidades,

Sinto-me rejeitado, imprestável, um ser inútil.

Meus sentimentos torpes e fúteis eram escolhas de minhas vontades

Para satisfazer o ego de meus desejos.

Agora, as lembranças do passado

Impôe ao meu espírito a tortura dos culpados

E a certeza de que minhas faltas irão comigo para resgate na eternidade.

Jose Augusto Cavalcante
Enviado por Jose Augusto Cavalcante em 05/02/2012
Reeditado em 05/02/2012
Código do texto: T3482504