O PREÇO DE UM POEMA
 

É comum aos poetas
Verterem seus melhores versos
Em seus piores momentos,
Em seus piores dias!
 
Pagamos um alto preço
Por bons poemas,
Mas qual a moeda?
 
Desespero,
Desesperança,
Desamor;
Aflição, dor...
Lágrimas vertidas, 

Em versos convertidas !

 
A boa poesia cobra moeda ruim,
Gosta de negociar,
Não aceita dinheiro de boa procedência,
Ganho de forma correta;
E raramente
Aceita as antiguidades e relíquias
Que guardamos com tanto cuidado
No fundo do baú da mente
Ou no coração
– nosso relicário!
 
A boa poesia aprecia dinheiro sujo,
Com sangue, com dor,
Como aquelas moedas de prata de um traidor,
Ganhas em nosso próprio submundo,
Nas profundezas da mente
– muitas vezes o fundo do poço –
ou na parte mais escura do coração
– a caixa de Pandora!
 
Mas a moeda mais apreciada
Pela boa poesia
É aquela moeda grega, das tragédias!
 
Tragédias como aquelas
De fazerem o sangue verter
Como o fez o jovem Werther!
 
Tragédias como aquela
Da mente confusa e doente
Que agride o corpo, inclemente,
E à Florbela Espanca
A sua vida arranca,
Fechando seu Livro da Vida,
Mas deixando aberto
Seu vivido Livro de Mágoas!
 
Tragédias de teatro cheio
Que rendem muitas moedas
Com cheiro de rosas,
Com cheiro de morte
–  óbolos roubados da vida
e da esperança em nossos olhos!


Julia Lopez

14/12/2017



Nota sobre a foto: imagem da internet sem identificação de autoria. Busco exaustivamente a autoria de cada imagem, mas nem sempre a encontro. Caso alguém conheça sua autoria, por favor, me informe para que eu possa identificar a imagem e dar o merecido crédito ao artista!

Julia Lopez
Enviado por Julia Lopez em 14/12/2017
Reeditado em 10/01/2024
Código do texto: T6198509
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