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Fatias de insônia

Tal qual casulo, a noite fecha o entardecer e na manhã libera borboletas douradas de sol. O tempo pincela cenas enquadrando-as nas molduras do viver. Noites e dias vão acontecendo, obedecendo a ordem do não saber. Vida é silêncio esperando gritos; E assim os gritos esperam ecos, que resvalem pelos campos dos desejos.
 
Na sala vazia, estante lê livros fechados há tanto tempo.
Romances trancafiados em letras com finais tristes.
A cerâmica fria embaixo do carpete da ilusão, cansada dos desenhos impressos, ostenta poeira varrida das limpezas fingidas.
No porta- retrato a vaga lembrança de uma foto preenche o retângulo.

Plásticos exibem forma de flores, sem natureza concreta, dentro dos vasos. O lustre suspenso é sinal de imponência, mas quem tem vida mesmo, é a frágil lâmpada que se acende. Inquietude dos pensamentos trabalha a arte de moldar tristezas, com o barro das desilusões.
 
Pego um pedaço de noite e mastigo fatias de insônia.
Nos olhos turvos, as pálpebras apertam garoas, para dar goteiras aos lábios entreabertos, das saudades dos teus.



Takinho
Enviado por Takinho em 17/09/2019
Reeditado em 17/09/2019
Código do texto: T6747244
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Takinho
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 42 anos
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Takinho