Desesperança

Sempre estava à espreita das dores,

Dói e sangra... ainda. Em constância.

Teus olhos tristes rimam com a romança da chuva,

Teus olhos sempre trazem os milésimos segundos de exatidão, correnteza...

Entre nossos corações.

Eu... afoguei.

Afoguei nestas miudezas, detalhes,

Ortográficas falhas da incerteza

Sob os ramos de alecrim... perdida.

Fique.

Existe tanta voz em nosso silêncio.

Fique no agora,

Para sempre em meu instante.

Para sempre em meus galhos de ontem,

Que o chão soterra,

Enterra nossas pegadas para ir de encontro

Com este teu olhar azulado...

Nunca sabemos quais palavras vestir as lágrimas,

Sei que existe em teu corpo essa vontade

Estrelar! Estrelar! Estrelar!

Sendo teu corpo um gole derradeiro,

Pois é preciso engolir mais das lágrimas

pronunciadas em nossa fala,

Decifradas pela natureza...

A favor que sejamos mais que breves:

Dois pontos matemáticos em compasso com a desesperança.

Tão breve... tão breve.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 02/08/2021
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