ESPEREI-TE

Seria impossível remendar os velhos versos,

Descosturar a lembrança,

Preencher os espaços com tua alma

Na minha desesperança...

Que jorra... tristonha invernia

Sob a serenidade do olhar - vez ventania -

O verso exala perfume de saudade,

Floriu por tanto, tanto tempo...

Agora, vagamente, busco o ar.

Tuas letras transbordam distâncias,

Coagulam em meus olhos,

Derramam, amam... amo-te.

dizia tua grafia, pouco pude identificar.

Eras assim: um misto de solidões,

O céu de minha alma,

O pouco que amei,

Amei em teu tempo-tardio,

Como se o amor fosse um pôr-do-sol,

Como as folhas que recolho em meus livros.

Sempre sentia, de nada vale a voz:

É que eu sempre fui triste.

Tua tristeza é encontro,

Eu sempre esperei-te,

Esperei-te até quando não podia,

Até quando os olhos não viam

Que não havia retorno para o mar,

Que o rio era um prelúdio

Sem fim! Sem fim!

Esperei-te até não haver espera.

Até a tua espera nunca me encontrar.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 13/08/2021
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