HEI DE CHORAR

Hei de chorar dorido pela minha flor

Que presto vem e logo vai no alvor da vida.

Acenando-me com perfumes de amor

Não sabe o que lhe reserva a triste lida.

Bela e frágil desabrocha em meu solo

Traz por dentro a maldição de insana febre.

Aconchego-a bem sereno no meu colo,

Mas sua vida está em fuga como lebre.

Ah, amor, se eu pudesse aprisionar

Ao menos um pouco desse seu perfume.

Antes que o sol incremente, a despetalar

Reduzisse minha existência ao queixume.

Prosseguiria algo feliz, alguma bonança

E os meus dias, tristes dias sem te ter -

Trazendo de ti, cor e forma, na lembrança -

Amenos seriam: calmos, até o adormecer.

Jess
Enviado por Jess em 23/11/2007
Código do texto: T748700