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Apocalipse

Nos trevosos dedos magros
repousam os nós,
rangem as unhas,
rasgam as peles,
estalam as cartilagens,
ao som do riso infernal
do prazer da carne
do sabor requintado
         (e profano)
da vingança.

Quem é esta prostituta
nua
sobre o cavalo negro?

Ri-se a vingança,
rouba a Paz, bebe sangue,
escraviza.
         (escraviza quem?)

Arranca os olhos apocalípticos
e deita com a prostituta.
Ímpio, onde está tua Patmos?
Onde anda tua rocha?
         (não há Patmos, nem rocha)

Então segura.
Corre e segura
firme
a mão
a trevosa magra mão
com seus nós
com suas podridões
que penetram a carne
e a devoram
e a possuem
e a escravizam.

Sente as unhas
e o estalo das cartilagens
que a prostituta traz entre as pernas!

É o teu fim.
Vai só até aí.
E basta.

Porque os ais deste mundo
são todos teus.
- Boa diversão com eles!

Maldito o que conhece a
Palavra
e que dela se aparta.

MariaLia
Enviado por MariaLia em 27/02/2007
Código do texto: T394825


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Sobre a autora
MariaLia
São Paulo - São Paulo - Brasil
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