Recordando... Deth Haak
Tu_as palavras / Francisco Coimbra


Ontem revi o passado, e adormeci provando o lenitivo...
dentro do meu coração as metáforas ganham forma

Ouvi seus passos senti seu perfume, e desejei que chegasse
para chegar até ti como um bom vinho se adivinho

Como antes, pois voltavas sempre no alvor do luar intuitivo;

sabedor do sabor onde meu paladar te toca toca...

Tergiversava calando a sombra pra que eu não acordasse.

Com odor do limbo que trazia na tez e transpiravas
entro no acalanto do teu canto e faço o meu canto
de onde vinhas! Vinho exalavas mesclado ao fumo
canto insuperável nesta viagem para ser espanto
que a roupa impregnava, depauperado a ira incitavas,
onde o prazer é este fazer com que deixas fazer...
como gato mirava a preza e de manso a ela o rumo...

Entre as cobertas que acarinhavam o sonho da amada,
matéria dos sonhos nos pensamentos mais livres

respirando lentamente, abaçanando a tênue luz das velas
chamando a chama onde ardendo o ar de dentro
que duplicavam o vulto, sombreando as cortinas do leito
arduamente se liberta na palavra aberta aroma...
que valsavam na expiação sôfrega, e ao meu lado deitavas.

Sem saber que a noite houvera escravizado o feito
rosa de todas as cores onde o arco-íris se segreda
Na angustia insone que me rodeava, balbuciando a medo
como uma música segredada pelo aroma amada
De pegar no sono e não te ver chegar para dormir direito
à distância dum nada entre o mar e o som búzio...

Ninada pelo amor marcando as horas de meus degredos.

Hoje recordo desperta acordando quiçá a partida

chego pois com a bagagem dum viajante descalço

Pensando eu inda ser cedo para o dia ser noite

caminhando à beira mar um amor pelas viagens
E dizer não a agonia de esperar bem mais da vida
onde embarco mesmo sem barco todos os dias...
O corpo se deita e o hálito morno me sopra o dorso...

Já nem sei se sofria quando o desejo era aguçado
o horizonte cada vez mais perto até ficar desperto
Pela suas mãos, que me tocavam as pomas e anseios,
erecto como verga onde vela se abre amplamente

No calor douto corpo que não pensava dizer que não
viagens amor qualquer hora ou depois do serão...
E sem perguntar que horas, se oras tinhas amargado...

O não querer acordar, me rendendo aos seus lábios
de olhos fechados que abertos veriam pela noite

No seio, enquanto os longilíneos dedos dedilhavam
corpo táctil onde somos instrumentos do destino
O corpo como a um piano, tirando os sons já sábios...
instinto deste instante onde poema toca a poesia!
Fingindo que ia protestando aos dedos que o tocavam.

O instrumento onde morava a astúcia e não habitava dor
Lua em conjunção solar para seu reflexo luar
E a raiva se dissipando num gemido mais que frêmito
dispersando trevas depois de ultrapassar nuvens
Sussurrando sem hora marcada apodera-se do corpo ardor . Abrolha

qual leitosa luminescência irradiando influência
mais uma flor, que vingado fora fêmea no fortuito!

A alvorada mágica transmutava mulher despindo màgoas
marés dum movimento harmónico sobre o peito
Nos fluidos alquímicos dos roços e cicio dum duo querer
onde a inspiração se insinua nua no nu amplexo
O intenso amor fundindo os corpos como rios suas águas
até voz dar foz à fome se a rugir ficar orgasmo...
Que mansas refletem sol, ofertando ao Divino amanhecer.

“A Poetisa dos Ventos”
Deth Haak / Francisco Coimbra
10/10/2006 / 13/10/2006


Tu_as palavras


dentro do meu coração as metáforas ganham forma

para chegar até ti como um bom vinho se adivinho

sabedor do sabor onde meu paladar te toca toca...


entro no acalanto do teu canto e faço o meu canto
canto insuperável nesta viagem para ser espanto
onde o prazer é este fazer com que deixas fazer...

matéria dos sonhos nos pensamentos mais livres

chamando a chama onde ardendo o ar de dentro
arduamente se liberta na palavra aberta aroma...

rosa de todas as cores onde o arco-íris se segreda
como uma música segredada pelo aroma amada
à distância dum nada entre o mar e o som búzio...


chego pois com a bagagem dum viajante descalço

caminhando à beira mar um amor pelas viagens
onde embarco mesmo sem barco todos os dias...

o horizonte cada vez mais perto até ficar desperto
erecto como verga onde vela se abre amplamente

viagens amor qualquer hora ou depois do serão...

de olhos fechados que abertos veriam pela noite

corpo táctil onde somos instrumentos do destino
instinto deste instante onde poema toca a poesia!

Lua em conjunção solar para seu reflexo luar
dispersando trevas depois de ultrapassar nuvens
qual leitosa luminescência irradiando influência

marés dum movimento harmónico sobre o peito
onde a inspiração se insinua nua no nu amplexo
até voz dar foz à fome se a rugir ficar orgasmo...



Francisco Coimbra

13-10-2006 19:04:27

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Deth Haak
Enviado por Deth Haak em 13/10/2006
Código do texto: T263629