LADAINHA DE MÃE E FILHA

Lembra do mar?

Lembra daquelas conversas jogadas fora?

E dos risos frouxos de manha cedinho?

E das certezas amputadas pelas partidas?

E das horas que demoraste a dizer que vinhas?

E do frio na espinha à espera do próximo vôo?

Lembro-me de tudo.

O mar de agora

Não tem beleza alguma

E os meus olhos se curvam

Às rugas do destino

Não sou devota de santos

Rezo por precisão, e nunca por mim

Rezo pelos meus rebentos...

Escrever é dom que não se escolhe, minha mãe dizia

Sofrer é merecimento que não se quer, eu entendia.

“Quem ama o homem demais, ama o Satanás”, ela repetia

E eu, de tudo o que ela me sugeria, ficava a indagar:

-E amar?

Ah, minha filha, Amar é sorte... e nada mais!

Iza Calbo
Enviado por Iza Calbo em 23/11/2014
Código do texto: T5046172
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