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A CANOA DE JEREMIAS

Francisco de Paula Melo Aguiar

A canoa de Jeremias
Era o único transporte
De Santa Rita a usina, todos os dias
O Paraíba cheio, comporte.

Construída do miolo
De madeira de lei
Inversão do nado, cabriolo
Leva e trás gente de cada vez.

Passa rico e pobre também
Corta a água do Paraíba
De beira a beira como ninguém
Banho de gente afoita, pindaíba.

O jornal falado do dia
Era ouvido da boca do povo
Matraca da vida alheia corria
Bajulador, puxa-saco, balança ovo.

Eram tantos os adjetivos
Ouvidos e levados para o patrão
Verdadeiro cheira curativos
Diga ai “seu menino” em atenção.
 
O coronel deitado na rede
Ouvia em silêncio seu operário
Comia, dormia e acordava com sede
Do relatório do canoeiro diário.

A canoa de Jeremias era a independência
Sim! Um território fora da terra firme
Do massapé da Várzea sua existência
Senzala, lugar sem leis e pulso firme.


FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR
Enviado por FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR em 18/04/2019
Reeditado em 18/04/2019
Código do texto: T6626499
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR
Santa Rita - Paraíba - Brasil, 67 anos
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