Sonhos de verão

Como um rio...

Se arrasta em leveza para o mar,

Como a correnteza...

Me leva, nos leva... sem levar.

Em silêncio, teu olhar ressoa,

compreende a imensidão que se rasga em sentir e amar.

Nada é definido, tudo é encontrável.

Te encontrei...

Nossas almas foram beijadas pela indizível

Dor que sustenta nossos ombros exaustos, calados.

O acaso cercou nossos corações!

Somos todas as partículas gritantes

Duma solidão sem fim,

A fim de ser a reticência incansável das solidões.

Eu... te encontrei.

Ainda que,

Por uma fração de segundo,

Nossos corpos se cruzem à beira duma

Passagem estreita,

E o amor implore apenas por compaixão,

Teu riso trará o sol se abrigando da chuva,

Teu olhar sorri em chuva,

Transborda sol ao encontrar-me inscrita

Nestes teus sonhos de verão.

Eu fico a contemplar tal trágica beleza

Em teu riso e olhar.

Te sufoco e afogo,

Afogo sabendo que...

Somos o rascunho duma história bonita,

Nunca sentida...

Quem sou, nunca saberá!

Alguém que passou...

Alguém que irá te ler e nunca, nunca mais voltar.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 12/02/2020
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