ÓBITO

Sou um caminho que ronda incessantemente,

Onde devo lhe procurar em qualquer instante;

Sou o louco, que na ira transformo esse nada

Que há dentro do limite, numa história marcada...

Venho do amargo regresso em fado purificado,

Que em salobras salivas come o seu fel aberto;

Teu espectro lânguido, em meu gosto é desejado,

E sento-me ao seu lado neste momento tão certo.

Tenho variadas formas que desagrada o teu olhar,

E sem pena de ti, ponho-te a olvidar o sofrimento;

Quero encontrar um dia quem queira me desafiar,

Não por força, mas na incerteza de um julgamento...

Assim eu mostraria ás carnes que ainda andam expostas,

O que é frio e absoluto e sem que temas uma passagem;

Veriam que uma sombra em alento daria suas respostas,

Sem escolher dogmas humanos, nem o medo e coragem.

E você criatura estúpida, qual contente aqui peregrina,

Dê o que tens de valor para salvar a sua fé angustiada,

Desta que usas cruelmente para enganar a própria sina;

Quando deitar-se tão perene, sua mentira será enterrada.

Setedados
Enviado por Setedados em 08/12/2010
Reeditado em 07/01/2011
Código do texto: T2661152
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.