Alma ferida

Angústia surgiu com o vento da tarde,

Quase colorida com cores de lágrima, da face macia.

Nem o barulho das lembranças. Nem a fumaça na chaminé da saudade.

Muito menos as pedras ou pedregulhos da chuva na rua.

Mas uma verdadeira canção de aleluias no ar.

Brilho de mil raios!

Assim, como o anzol no rio busca o peixe que vai fugindo,

Perdia o jeito de esperar

Um, dois, três olhares pra ver sua face refletida na poça d’água.

Longe o riso, dos lábios. Uma flor na janela, tentação que foge do olhar.

O rosto fita através do farfalhar das folhas levadas no tempo

Crianças correm no vento, riscando de giz o tempo.

Ninguém enxerga o colorido além do arco-íris

Pé desnudo peleja no deserto acorrentado da alma

Se alguém afirmasse tal visão, o mundo giraria a seu favor

Na curvatura do vento, onde o olhar se esconde

A angústia voava com a permissão de outrora

Que também era o agora.

Embora não chegue a nenhum lugar

A angústia apenas dorme, sofrida

Nessa folha vazia

Onde tento expressar uma poesia

Assim alivia a minha alma ferida

Angeluar
Enviado por Angeluar em 02/01/2013
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