Polissemia

O caminho significa apenas um meio

O passo e o andar, uma ferramenta

Mas o meio e a ferramenta não bastam.

Meu imaginário riscado a giz.

Se apaga lentamente.

E, onde antes havia monumentos.

Só encontro escombros.

Onde havia antes mensagens

Só ouço urros.

Gritos insanos de guerra.

Da violência inepta a romper,

a quebrar e a fragilizar

o que é pobre e tênue.

Como parar tudo isso?

Como reconhecer que reconstruir

Não precisa ser do nada...

Fiz uma oração ao infinito.

Palavras ao vento para chegar

Aos ouvidos de Deus

Pedi perdão.

Pedi tanta coisa.

Pedi que na perdição da vida.

Encontre algum afeto.

Que no abismo exista luz ou

alguma aura sagrada

E que o silêncio derradeiro

Da absolvição de

todos os pecados.

Traduza a paz inalcançável.

Fuligem é a poesia do fogo

A brisa é a poesia do ar.

O orvalho é a poesia da água.

E a flor é a poesia da terra.

Cinza, azul ou verde

O lirismo se tinge de

arco-íris incompreensível...

Matizes de vida e prenúncio

de morte.

O caminho possui pedras semânticas.

O caminhar possui gestos humanizantes.

Então, a pedra fala sobre o caminho

E os passos delimitam o começo.

Do tempo volátil e táctil

Repleto de lembranças.

E de primaveras que se secaram

E se renovaram

Diante da polissemia.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 27/06/2013
Reeditado em 28/03/2014
Código do texto: T4360872
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