SER OU NÃO SER

No palco

Sem eira nem beira

Você real, você só,

Desnudo, sem maquiagem

A cortina, porém, atrás da qual você se escondia

Era transparente, de filó

Os olhos que te veem

Te assusta

Você tenta fugir

Seu pés não lhe obedecem

Você disfarça

Você esbraveja

Você finge

Você ignora

Você se justifica

Você grita

Você se explica

Você chora

Você tem vergonha

Você se cobre com as mãos

Você quer morrer

Quer sumir,

Quer ir embora

Aquele não é você

Eles não sabem

Você não quer que seja

Você os encara

Pede desculpas

Mas o público é impassível

Você se revolta

Você os manda às favas

Você lhes dá as costas

Você se põe de cócoras

De repente, os aplausos

Eles te aceitam

Você pede que parem

Você implora

Não é certo

Não é verdadeiro

Não pode ser

È inverossímil

Há um vácuo em você

O teatro está vazio

Você se move

Você se odeia

Você se veste

Você bebe

Você escreve

Você conta para alguém

Com suas palavras

Você escamoteia

Você se renova!

Se alivia

Agora você é apenas o que você quer ser

Não o que você é

Então você se esquece e vive

Por que você sabe que o duro

Não é viver

O duro é ser!

Celio Govedice
Enviado por Celio Govedice em 06/07/2013
Reeditado em 06/07/2013
Código do texto: T4374617
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