Dez Vidas

O corpo acalma,

Como se dormisse

Lança fora a alma

Como se não mais existisse

Se levanto-me ao voo

Meu corpo morre

E de tudo me perdoo

O céu azul me acolhe

Ma logo logo volto

Como um espectro

Que a libido perde,

N'um dia desses de voo

Perdi o ceptro

Ninguém intenderia

Se eu dissesse tudo.

Meu corpo inerte...

Não me despedi,

Deixei as chaves sobre o criado-mudo

Abram as portas

E me vou nas tempestades

E meu sorriso sempre foi novo

Minhas asas batem sobre as cidades

Perdi uma aldeia, mas reconheço o meu povo

Não vês nada novo, assim é,

Meu corpo pálido parece cera

Isto é meu mundo, um princípio

Não escolhido, e sem fim

Compreenda

Agora tente, ainda que não entenda

Algumas ausências do desejo,

No meu corpo etéreo é senda

Se o despudor apaga

A luz dos céus acendem

E minha alma traz a adaga

Sem cortes em mimhas dez vidas

Que transcendem

Corina Sátiro
Enviado por Corina Sátiro em 24/04/2017
Reeditado em 24/04/2017
Código do texto: T5980144
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