Depressão

Na angústia escutou um último som,

Que foi um estampido em seus ouvidos: “tuf!”

Um som úmido e cheio de opacidade a lhe silenciar o tempo.

Aquele era o seu lugar, mas também era um sentimento.

Em seu desespero agarrou-se com as unhas

Nas carnes esponjosas do lado de dentro de sua garganta,

Tentando escalar-se, tentando alcançar-se.

Em vão gritava. Não se ouvia. Não sabia se era ouvida. Alheara.

Era como se presa estivesse em um hermético pote de vidro.

A pressão da atmosfera amolecia seu corpo, nauseava.

O sentimento de melanconlia disfágica lhe golpeava

Feito uma morte a lhe querer devorar para em seguida ser vomitada.

Não pertencia a nada. A ninguém. Só ao tempo.

Seu peito parecia carregar uma arma nuclear

Prestes a explodir e acabar com tudo. E nisso tinha gozo.

Se agitava procurando pertencer, procundo achar,

Mas era tragada para o buraco, puxada por si mesma,

Arrastada goela abaixo, engolida e afogada pelo nada.