ESPANTA-ME A MORTE

Espanta-me a morte

Sua inafastabilidade

Sua realidade

Seu caráter democrático

Espanta-me a morte

Espanta-me sua aceitação

E também sua não aceitação

Espanta-me sermos obrigados a experimentá-la

Espanta-me a morte

Quantas filosofias e religiões

Foram à sua custa erguidas

Contudo ninguém a decifrou de maneira definitiva

Espanta-me a morte

E o depois da morte

O que acontece com o corpo e com o espírito?

Se é que este último existe!

Espanta-me a morte

Posso explicá-la religiosamente, filosoficamente

Por meio da biologia

Mas nenhuma explicação é completa

Espanta-me a morte

Pois antes de mim muitos a questionaram

Depois de mim ainda questionarão

Sei que morrerei e ela não terá sido decifrada

Espanta-me a morte

Hoje espetáculo estrelado pelo outro

Amanhã o protagonista serei eu

E não se preocupe, amado leitor, sua hora também chegará

Sigamos o conselho do poeta Horácio

Carpe Diem! Quam minimum credulo posteriore

Aproveite o dia! Confia o mínimo no amanhã

A maior característica da realidade é a sua dureza implacável

Frederico Guilherme
Enviado por Frederico Guilherme em 20/09/2009
Código do texto: T1820341
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