ALVORECER

“Ó funerária que na rua faz esquina,

Vitrina incansável das minhas noites mal-dormidas,

Fazes do meu leito teu eterno leito.

Levai este corpo cansado em tuas paredes estreitas

E esta alma ávida por horizontes perdidos...”

Deixai que eu perceba nos céus de agora

Toda a Glória majestosa de quem nunca vejo.

Livra-me da dor, ó cara Dama,

Mostra-me a verdade que há por detrás das brumas

Que leva teus convidados sem hora prévia!

Guia-me nas tuas asas !!!

Liberta-me a alma do corpo doente,

Pois qual velho lúcido, pela dor fremente,

Também não tenho forças aqui para caminhar...

Quero levitar !!! Viver, voar !!!

Longe da Terra, cárcere de erros mil...

Que punge e dilacera o meu peito vil...

A dor que fere... lâmina cruel...

Arrependimentos me afligem

Pelos erros cometidos

No passado. Num passado inócuo, vão...

Arrependidas memórias,

De oportunidades perdidas...

Quero a vida, sim, quero a vida !!!

Mas a vida sem maldade,

Sem hipocrisia,

Sem as velhas coisas vazias.

Quero entoar uma cantiga,

Com a sua prece amiga

Que empresta coragem

A coragem de que preciso

Dos teus nobres ideais

Que me ajudam a viver em paz...