TRISCOU... PEGOU!...

Creio mesmo,
com ardor e a esmo...
Que só se ama uma vez só...
No mais, fogo 'pagô...

E se essa vez passa,
a gente se engana e perpassa
perplexo com medo da solidão.

Não se rima amor e dor,
apesar da sonoridade dessas palavras 
ser tão próxima, uma da outra...
Por isso, eu sou o outro
(na vida dela...)

Mas, é que,
no paraíso da alma
ou no seu país,
as regras na poesia
se diferem das daqui,
no nosso convívio terrestre...

Olha, não quero dar uma de griô,
nem de mestre...
Pois, sendo eu , muito,
um ser silvestre
- no sentido de eu ser um índio...
Não viveria sem tribo,
um único dia esquivo, não!...

Se não, viajaria num disco veloz,
tal qual um risco no céu
no troar de um corisco
que rasga um cisco no véu...
Pra fugir de todo risco
de qualquer solidão!

E minha nau, é senão,
sem freio e estribo...

E de lá do cosmo,
cantaria uma canção:


"Um índio descerá de uma estrela
colorida, brilhante...
de uma estrela que virá
numa velocidade estonteante..."
 
(Caetano Veloso)


E repousaria em teu coração.



Antonio Fernando Peltier
Enviado por Antonio Fernando Peltier em 30/12/2011
Reeditado em 30/12/2011
Código do texto: T3414359
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