Mítica Existência

Seguindo o novelo de lã que as mãos de Ariadne teceram

Busco escapar dos labirintos mefistofélicos da insensatez.

Como Sísifo, empurro com meu coração do Amor a embriaguez,

Condenado a nunca acariciar os lábios que antes me reviveram.

Sou o Orfeu a salmodiar com minha lira os infernos de meu ser;

Mas os olhos de minha amada se apagaram para o meu fulgor.

Thanatos escurece os orvalhos e os olimpos de todo alvorecer,

E Cronos segue corroendo as raízes de meu destino e de meu vigor.

Hoje o fogo da Razão é uma águia ébria a devorar o meu alento;

Hoje o rio Estige brota o farol do Sheol que esmaga tuas esperanças?

Hoje a vida é um vão purgatório que não expia os teus tormentos?

E o amanhã decapitará os horizontes de qualquer fruto de bonança.

E serei outra sombra de mim mesmo encarcerado na pueril lembrança

De um porvir que só nos gerará lágrimas, lápides e torpes lamentos.

Gilliard Alves
Enviado por Gilliard Alves em 15/07/2015
Código do texto: T5311534
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