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Pedra (Des)construídas

Pedras de esdras,
Pedra lascada
O Alimento,
O trabalho,
A construção,
A nação.
Vozes, raízes na planta dos pés.
Casas, grutas, túmulos.
Ardósia, brita, mármore carrara
Na mão do artista
Pedras que abrigam o rio,
Pedras, muros, muro de arrimo.
Separação de nação,
Separações de corpos.
Pedras tiradas do caminho,
Pedras de Carlos Drummond de Andrade,
Pedras que fazem estradas
Pedras sagradas,
De abrão,
De Josué,
Pedra do sepulcro de Jesus.
Flores entre pedras,
Cefas Pedro Pedra
A igreja que é Cristo
Pedra que é o coletivo de humanidade
Diamantes...brutos, lapidados
Pedras da alma amada.
Pedra, Pedro, pedreiras,
Minérios da história.
Paralelos túneis entre duas realidades,
Arrecifes que guardam crenças.
Pedras perdidas pelo homem materialista,
Cientificista condenado à ciência,
Talvez... as pedras façam-no fugir do vácuo,
Do pesadelo e acorde-o com safiras nos olhos.
Dos troncos no trono, das raízes as raízes
Os fetiches da natureza humana.
Folhas em suas folhas em branco,
Musgos nos verdes olhos da esperança,
Testemunhas martelando primitivamente a sorte,
De pedra em pedra foi o homem contruindo.
Com pés descalços varrem o mundo
A matar as paisagens nas retinas do tempo,
No vão dos desejos abrindo portas e lamentos.
Sinto o cheiro de terra molhada,
Sinto os raios do sol a carinhar as tardes
A abrirem as portas preciosas da dimensão divina.
Pedras que me levam às grutas,
Ancestrais que falam através do rupestre,
Lá estão as pedras vivas e no atrito das pedras,
O traço da argila,
O som do martelo,
As rochas trituradas,
As cavernas,
As marcas das mãos,
A arte bizonte,
A memória.
Sonhos...cheiro de mato,
O rio corre e no regaço o sulco
Adentra o verde das folhagens entre mãos,
O azul do céu, as frestas entre copas e a razão
Infinitizam as pedras entre o céu e a terra
E me levam as barragens do mar além do corpo.
A natureza é o jardim da nossa casa,
O vento uivando por trás das montanhas
Entre o rio Tigre e Eufrates, pedra de Adão
Ao alcance da palma da pedra o ser.
Um lampião, casas próximas ao rio, lareira
Música, pedra no alicerce do ninho.
A grande rocha: começo, meio, fim
Da construção humana,
Silenciosa a partilhar o vinho, o pão.
Ouço o cantar dos pássaros,
Catalogo todos os momentos mágicos,
Cada espécime, cada manto,
Cada essência nesse espaço traço,
No plano, o planar das águias,
O revoar das gaivotas soltas a reverberar-me.
A minha alma de águia repousará no sono eterno
Entre pedras vivas no alto do Dedo de Deus.


 

Ecila Yleus
Enviado por Ecila Yleus em 21/09/2008
Reeditado em 22/11/2008
Código do texto: T1189912
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Ecila Yleus
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
333 textos (10941 leituras)
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Ecila Yleus