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Os modismos

Os modismos

Pode parecer brincadeira, mas as influências externas e o comportamento das pessoas ao redor do mundo, e os modismos, interferem tanto em nossas vidas, que muitas vezes, pegamos certas idéias, hábitos e até mesmo posturas e conceitos que não fazem parte de nós mesmos, apenas por modismos.

Certa tarde que não fui ao trabalho, recebi a estranha visita de uma vizinha que fazia tempos não aparecia  (mais ou menos uns cinco anos, ou mais).
Ela entrou com a desculpa de que vinha me cumprimentar, saber como estavam as coisas e foi ficando, ou melhor, tentando emendar um papo. Só que por sorte minha, ou coincidência do destino (coisa que eu não acredito), eu estava tão ocupada, que apenas pude despejar-lhe um copo de chá gelado e continuar nas minhas tarefas sem sequer ter tempo para mirá-la de frente.

E fui ouvindo, ela falou-me que tinha passado uma fase super difícil em sua vida com o ex-marido, os filhos, o trabalho (desemprego mesmo). Que tinha ficado muito deprimida e que em uma dessas noites de tristeza existencial, tinha conhecido um homem com quem começou a se relacionar. No inicio, acho que foi um mês tudo estava muito bom, até pintar a esposa que na verdade sempre havia existido. Ela me contou que desistiu de seu romance meteórico e falou com a pessoa que não ia dar mais que era complicado, por causa da esposa, etc. Enfim eles estão se relacionando até hoje e a esposa continua no meio. A minha vizinha tornou-se amante. Só que o seu amante é muito exigente e controla todos os passos dela, inclusive com quem estava, onde foi etc. E ainda por cima ela diz que não o suporta mais, que inclusive agora o está ajudando financeiramente, e que sexo entre eles não é nenhuma maravilha, mas que para não ficar sozinha prefere aturar.

Enquanto ela esteve em minha casa ele ligou para o celular dela (três vezes).
Enfim ela me falou que estava ainda com ele, não por amá-lo ou por afinidade ou por qualquer outra coisa. Estava com ele pois sentia-se bem em dizer para as amigas quando perguntavam: e aí tem alguém um namorado? Ao que ela respondia: sim estamos muito bem, logo ele vai se divorciar, etc.

Como eu não podia falar nada para ela, apenas pensei comigo mesma. Como pode uma mulher bonita, ainda jovem, com a vida estruturada se submeter a uma situação, ao meu ver vexatória e humilhante, não por ser  a outra, mas simplesmente por estar com uma pessoa que não acrescenta nada, não diz nada. Só para dizer para si mesma que tem companhia, e não ser apontada pelos outros como mais uma solitária?

Acredito que existem ainda muitas mulheres assim, que se acomodam a situações infelizes e paranóicas. É realmente lamentável, pois a vida é muito mais do que “modismos” passageiros. E ser feliz é um compromisso que todo ser humano deveria ter consigo mesmo, como meta principal e objetivo principal de sua vida.

Para as que ainda vivem assim, deixo-lhes o meu carinho e a esperança de que nunca é tarde, para virar a mesa, dar um basta e correr atrás de tantas oportunidades que pintam no dia-a-dia. Para as que se completam e se realizam de verdade, meus parabéns e um pedido especial ajudem ainda as que estão no caminho da maturidade.


Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 30/03/2006
Código do texto: T131001


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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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