Poesia em fuga


Insano desejo de prender-te entre os meus dedos,esmagar-te , esfarelar-te como um torrão de açúcar e, abstraída de mim mesma fitar os teus fragmentos se dispersando ao redor de mim,sendo levados pela lufada de ar que veio aflita do norte em busca de repouso e paz.Ó majestosa poesia que vaga solitária abeirando-se dos altos muros dos meus pensamentos sem força ou coragem para ultrapassá-los e arrebatar-me em teus braços. Escuto os teus vagidos na calada da noite qual se fora uma mãe a chorar a partida de um filho querido ou o pio da coruja que no topo da árvore observa o desenrolar da vida com os olhos perdidos mais além.Queria tomar-te em meus braços e te acalentar qual uma criança para que pudesses te afeiçoar a mim e tornar-se a minha melhor amiga.Ó poesia arredia,moça selvagem com olhos virgens trigueiros,fitas-me quando passo e te calas.És imperdoavelmente má!! Te busco no silêncio das madrugadas, no entardecer molhado,nas manhãs nubladas, nas fímbrias ardentes do sol,na coroa diáfana da lua que se agiganta sorvendo-te sedenta,para mitigar a sede. Por onde andas agora,neste momento em que embaraças e turvas o meu pensar tornando-me estranha a mim mesma,fazendo-me sentir a vagar por entre as estrelas e até posso tocá-las .cintilantes e belas! Fito -as e lhes pergunto onde encontrar-te posso? Elas,sorrindo, voltam-me a face fugindo ao teu encontro para se enconderem no final do meu destino.Ás vezes te amo, outras te odeio,ó poesia que se arrasta dos confins e se mostra aos outros enquanto te escondes de mim. Por que?!


Uma linda noite...PAZ!
bjs soninha

Imagem:http://odecimoanodosergio.blogspot.com/2008/02/poesia.html