Tu es pó e ao pó voltarás.” Diz a Bíblia. Me pergunto quantas vezes já dissemos a nós mesmos: “Eu fui pó e ao pó já voltei” . Momentos em que nos sentimos vazios de vida, abdusidos e levados sei lá para onde… Momentos de deserto…ainda que o tal deserto esteja lotado de pessoas vivendo suas vidas!

Normalmente, atribuimos o exílio de nossa alma, aquele emprego perdido, aquele ente querido que partiu “para ver outras paisagens”, aquele amor que nos rejeitou… Tudo isso dói de verdade e só quem já provou do cálice destas dores sabe o quão amargo é! Nessa hora, tentar fugir da dor é a maior cilada, a pior e mais letal armadilha em que poderíamos cair: temos que experimentar o amargor de cada momento, esgotar sua dor e não guardá-la no fundo baú da nossa alma, no porão das coisas mal resolvidas…

Se assim fizermos, estaremos sempre pisando em “terreno minado”: a qualquer momento, quando menos esperarmos, um passo incauto e aquela dor enterrada explode, despedaçando-nos!…

Queridos, é preciso atravessar o deserto: boca ressequida, olhos ardidos, lábios e pele queimados, pés abarrotados de bolhas, joelhos feridos pelas inúmeras quedas…

MAS VIVOS! E, quando pensarmos que, de nós só restam cinzas, novos desafios aparecerão e veremos o quão Fênix somos!

É preciso fazer o que é preciso ser feito. Redundante, não é? Mas extremamente verdadeiro para aquele que traz em si a marca da sobrevivência! Soldado do deserto! Linda Fênix que ressurge das cinzas mais forte, mais madura, mais guerreira, mais bela!…

O deserto? Já não nos amedrontará tanto, pois já o atravessamos e sobrevivemos a ele, apesar dos pesares.

Que venha o deserto! Quem sabe agora, a Fênix voará sobre ele? Quem sabe?

Quem…sabe?…

 
Andreia Jacomelli
Enviado por Andreia Jacomelli em 02/01/2009
Reeditado em 04/01/2009
Código do texto: T1363795
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