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Açougue Fashion - (Reedição)

Para o mundo da moda, o efêmero é a tônica. A beleza, a tendência, a atitude, tudo tem prazo de validade de 3 meses. Entretanto, algumas coisas nesse mundo, são eternas. Pense num desfile de alguma grife, dessas que vendem vestidos com preço de carro popular. Veja como algumas coisas são sempre iguais.
Primeiro as modelos para vestirem as criações. A grande maioria parece corpo docente de colégio suiço. Todas têm cara de paisagem, de nojo ou de fome absoluta, quando não os três ao mesmo tempo. É o que as pessoas antenadas chamam de cool. No meio desse batalhão de paquitas anoréxicas e quase sempre bulímicas, aparecem algumas negras. Claro. Em tempos de politicamente correto, não se pode correr o risco de ser taxado de preconceituoso. Elas, as modelos, não conseguem articular frases com mais de 3 palavras, porque não deram prosseguimento nos estudos e também por terem em média 15 anos. Imaturas ao extremo.
Essas meninas atravessam a passarela sérias como se tivessem acabado de fechar um tratado de Física Quântica. Mas elas não têm nem noção do que é isso. E o andar delas é algo incomum. Ninguém anda daquele jeito. É como bailarina clássica. Muito bonito vê-la no palco, na ponta dos pés, mas ninguém anda assim na rua. Não é natural.
O estilista. A estrela da festa. Sempre uma figura repleta de vaidades, e dada aos mais escabrosos chiliques. Jura que é um gênio. E não raro, diz que suas criações são obras de arte. Não há dúvida de que alguns são criativos, interessantes. Mas não trocaria um Vermeer por uma calça "artística".
O estilista geralmente é um ser movido pela originalidade, mesmo que essa originalidade venha de outros. E adora o conceito. O conceito é tudo. Para nós pobres mortais, resta assistir a uma sucessão bizarra de roupas que nenhum cristão em sã consciência usaria. Tudo bem que a passarela é um show. Um chamariz para as roupas do dia-a-dia. Mas tem coisas inacreditáveis, que não têm nada a ver com bom gosto. Imagine que certa vêz vi um vestido com duas mulheres dentro. Sem comentários.
A mídia é o principal ingrediente da festa. Ela é quem determina quem vai vender mais, de acordo com suas notinhas, ou de ângulos fotográficos favoráveis e principalmente pela proteção dos críticos de moda.
Crítico de moda. É uma profissão respeitável. Imagine Uma pessoa que diz para você o que é e o que não é elegante, e que ainda te diz discretamente, que você deve emagrecer, ou mudar a cor do cabelo, mesmo que te deixe sem personalidade. Esses, são talvêz mais "chiliquentos" que os estilistas. Adulá-los e incensá-los é essencial para vender.
Moda, é a necessidade que o ser humano tem a cada 3 meses de assegurar sua individualidade, mas se identificando com o grupo. Não culpo esse zoológico fashion de nossas paranóias estéticas, ou nosso consumismo desenfreado. Culpo os que não têm bom senso. Pois modas existem muitas. Mas a personalidade do indivíduo é uma só.
EDUARDO PAIXÃO
Enviado por EDUARDO PAIXÃO em 12/05/2006
Código do texto: T154834

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Sobre o autor
EDUARDO PAIXÃO
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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EDUARDO PAIXÃO